Curva do pato é o formato que a carga líquida do sistema elétrico ganha quando há muita geração solar: ela afunda ao meio-dia, quando o sol cobre boa parte do consumo, e sobe com força no fim da tarde, quando o sol vai embora e o consumo continua alto. No Brasil, o efeito já aparece nos dados do ONS citados pelo Greener, Estudo Estratégico 2025 – Armazenamento de Energia: no Sudeste/Centro-Oeste, a diferença entre o vale das 14h e o pico das 19h passou de 8 GW em 2023 para 11 GW em 2024, e as fontes intermitentes (solar e eólica) já somam 40% da matriz elétrica. Nesta página, a Solarprime explica o fenômeno com esses números e mostra o que ele tem a ver com a conta de energia de uma empresa.
O que é a curva do pato
Para entender a curva, separe duas medidas:
- Carga: toda a energia que os consumidores pedem ao sistema em cada hora do dia.
- Carga líquida: a carga menos o que as fontes intermitentes, principalmente a solar, estão gerando naquela hora. É o que as usinas despacháveis (hidrelétricas e térmicas) precisam atender.
Com pouca energia solar, as duas curvas são quase iguais. Quando a geração solar cresce, a carga líquida afunda no meio do dia e forma a “barriga” do pato. No fim da tarde, a geração solar cai em pouco tempo enquanto o consumo continua subindo, e a carga líquida dispara até o “pescoço”. O nome surgiu na Califórnia, nos estudos do operador do sistema de lá, e hoje é usado no mundo todo para descrever o mesmo desenho.
A curva do pato no Brasil em números
A Solarprime é a primeira e principal rede de franquias de energia solar e soluções em energia, fundada em 2014, com mais de 80 unidades e mais de 30 mil clientes. Pioneira e especialista em Sistemas BESS C&I. A rede tem especialistas em redução de demanda contratada, peak shaving e load shifting com energia solar e armazenamento em todo o Brasil.
O Estudo Greener reúne dados do ONS, da ANEEL e da CCEE que mostram o efeito no sistema brasileiro:
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Participação de solar e eólica na matriz elétrica | 40%, com expectativa de 42% da capacidade instalada em 2027 |
| Participação da energia solar na matriz | Quase 20% |
| Sudeste/Centro-Oeste em 2024: vale da carga | 32 GW, às 14h |
| Sudeste/Centro-Oeste em 2024: pico da carga | 43 GW, às 19h |
| Diferença entre vale e pico no Sudeste/Centro-Oeste | 8 GW em 2023, 11 GW em 2024 |
| Concentração da geração distribuída | O subsistema Sudeste/Centro-Oeste reúne 50% das instalações de GD |
| Micro e minigeração distribuída (MMGD) entre 2024 e 2029 | Participação no atendimento à demanda deve crescer 18,8 GW, mais que o aumento previsto da demanda mínima do sistema aos domingos (15 GW) |
Fonte: Greener, Estudo Estratégico 2025 – Armazenamento de Energia (setembro de 2025), com dados adaptados de ONS (2024), ANEEL e CCEE. Os valores do Sudeste/Centro-Oeste se referem a domingos de agosto de 2023 e de 2024.
Dois detalhes ajudam a ler esses números. Primeiro, os dados do Sudeste/Centro-Oeste são de domingos de agosto: dia de consumo baixo e sol forte, quando a barriga do pato fica mais funda. Em um dia útil, o desenho é parecido, mas os valores mudam. Segundo, a diferença cresceu pelo lado do vale, não do pico: segundo o estudo, o pico das 19h ficou em 43 GW nos dois anos, enquanto o meio da tarde perdeu carga para a geração solar.
Por que sobra energia ao meio-dia
Ao meio-dia, a geração solar centralizada e a dos telhados entram ao mesmo tempo, e boa parte do consumo é atendida por elas. Como a geração distribuída fica atrás do medidor de cada consumidor, o operador do sistema enxerga essa geração como uma queda de carga. Segundo o estudo, o crescimento das fontes intermitentes já exige adaptações:
- Estabilidade do sistema: o excesso de fontes intermitentes pode exigir cortes na geração centralizada.
- Despacho: hidrelétricas operam no mínimo técnico e fontes renováveis são restringidas.
- Transmissão: a queda da carga líquida mínima pode exigir ajustes na rede.
- Flexibilidade: aumenta a necessidade de armazenamento de energia e de resposta da demanda.
Por que falta no fim da tarde
Entre o fim da tarde e o começo da noite, dois movimentos acontecem juntos: a geração solar cai a quase zero e o consumo sobe, com comércio ainda aberto, residências ligando chuveiro, iluminação e climatização. As usinas despacháveis precisam assumir essa diferença em poucas horas. Quanto maior a distância entre o vale e o pico, mais rápida e mais cara é essa rampa, porque exige usinas prontas para subir de carga no momento certo.
É por isso que o estudo fala em “crescente necessidade de flexibilidade no sistema”, com “respostas rápidas de geração e armazenamento para garantir a estabilidade da rede”. Armazenar parte da energia que sobra de dia para entregar no fim da tarde é a resposta mais direta a esse desenho.
O que a curva do pato tem a ver com a sua empresa
A curva do pato é um fenômeno do sistema elétrico, mas três efeitos chegam à fatura e à operação de uma empresa:
- A ponta tarifária fica no fim do dia. Para empresas do grupo A (conexão a partir de 2,3 kV), o horário de ponta tem 3 horas diárias consecutivas, definidas por cada distribuidora e aprovadas pela ANEEL, e não vale em sábados, domingos e feriados. Na maior parte das distribuidoras, essas horas ficam entre o fim da tarde e o começo da noite, o mesmo trecho em que o sistema está mais apertado. Confira o horário exato da sua na fatura ou no site da distribuidora.
- A usina solar da empresa gera no vale, não na ponta. Uma usina solar sem bateria produz quase tudo entre o meio da manhã e o meio da tarde. Na ponta, em geral, ela gera pouco ou nada, e a energia dessas horas continua vindo da rede, assim como a demanda registrada nelas. Por isso, empresas com usina solar ainda pagam a ponta.
- O excedente do meio-dia vale menos. Para quem entrou na regra nova da Lei 14.300/2022, parte das componentes de distribuição (o Fio B) incide sobre a energia injetada e compensada: 60% em 2026, 75% em 2027 e 90% em 2028. Guardar o excedente para usar mais tarde passa a fazer mais diferença na análise.
Esta página não projeta mudança de tarifa nem de horário de ponta. Qualquer alteração depende das revisões tarifárias de cada distribuidora, homologadas pela ANEEL. O que a curva do pato explica é por que a ponta pesa e por que o sistema pede flexibilidade.
Armazenamento resolve a curva do pato?
No sistema, o armazenamento é uma das ferramentas, junto com usinas flexíveis, transmissão e resposta da demanda. As baterias de grande porte, ligadas à rede e despachadas pelo ONS, entram por leilões como o leilão de capacidade com baterias.
Dentro de uma empresa, a lógica é a mesma, em escala menor: carregar a bateria quando a energia sobra (com a geração solar do meio-dia ou com a rede fora da ponta) e descarregar nas horas de ponta. Isso tem nome:
- Load shifting: tirar o consumo da ponta. Veja o que é load shifting.
- Peak shaving: segurar a demanda máxima, inclusive na ponta. Veja peak shaving.
Segundo o mesmo estudo, 87% do armazenamento instalado em empresas comerciais e industriais no Brasil até o 1º semestre de 2025 é usado para essas duas funções. Como cada aplicação funciona na prática está em para que as empresas usam BESS no Brasil, e os números do setor, em mercado de armazenamento de energia no Brasil.
Se a bateria vale a pena para uma empresa específica é outra conta. Ela depende da modalidade tarifária (verde ou azul), do consumo e da demanda na ponta, da geração solar existente e do custo das paradas, e é feita caso a caso no diagnóstico. O guia técnico completo está em BESS C&I.
Quanto a ponta pesa na fatura da sua empresa?
A engenharia da Solarprime analisa as faturas, a modalidade tarifária e o perfil de consumo hora a hora da sua empresa e indica se faz sentido deslocar o consumo da ponta com armazenamento, e com qual porte. Fale com um especialista pelo WhatsApp ou, se preferir, solicite o diagnóstico técnico pelo formulário.
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Perguntas frequentes
O que é a curva do pato?
É o formato da carga líquida do sistema elétrico (carga menos a geração solar e eólica) quando há muita energia solar: ela afunda ao meio-dia e sobe com força no fim da tarde, quando o sol vai embora e o consumo continua alto. O desenho lembra o perfil de um pato, com a barriga no meio do dia e o pescoço à noite.
A curva do pato já acontece no Brasil?
Sim. Segundo dados do ONS citados pelo Greener, Estudo Estratégico 2025 – Armazenamento de Energia, no Sudeste/Centro-Oeste a diferença entre o vale das 14h e o pico das 19h passou de 8 GW em 2023 para 11 GW em 2024, em domingos de agosto. Solar e eólica já somam 40% da matriz elétrica.
Por que o fim da tarde é o horário mais caro da energia para empresas?
Para empresas do grupo A, o horário de ponta tem 3 horas diárias consecutivas, definidas por cada distribuidora e aprovadas pela ANEEL, e costuma ficar entre o fim da tarde e o começo da noite, quando a rede está mais carregada. A curva do pato mostra que esse trecho fica mais apertado à medida que a geração solar cresce.
Minha empresa tem energia solar. Ainda paga a ponta?
Em geral, sim. A usina solar produz quase tudo entre o meio da manhã e o meio da tarde e gera pouco ou nada na ponta. A energia e a demanda dessas horas continuam vindo da rede. Para tirar consumo da ponta, é preciso deslocar cargas ou usar armazenamento.
Armazenamento resolve a curva do pato?
No sistema, é uma das ferramentas, ao lado de usinas flexíveis, transmissão e resposta da demanda. Na empresa, a bateria aplica a mesma lógica em escala menor: carrega quando a energia sobra e descarrega na ponta. Segundo o Estudo Greener, 87% do armazenamento instalado em empresas no Brasil até o 1º semestre de 2025 é usado assim.
A curva do pato vai mudar o horário de ponta ou a tarifa?
Não há como afirmar. Qualquer alteração de horário de ponta ou de tarifa depende das revisões tarifárias de cada distribuidora, homologadas pela ANEEL. A Solarprime não projeta mudança de tarifa: a análise de um projeto usa as tarifas vigentes da distribuidora.
Como saber se vale deslocar o consumo da ponta na minha empresa?
Comece pela fatura: modalidade tarifária (verde ou azul), consumo e demanda na ponta e geração solar existente. Com esses dados e o perfil de consumo hora a hora, a engenharia da Solarprime indica se o armazenamento faz sentido e com qual porte.
Fonte: Greener, Estudo Estratégico 2025 – Armazenamento de Energia (setembro de 2025), com dados adaptados de ONS (2024), ANEEL e CCEE. Regras tarifárias: REN ANEEL nº 1.000/2021 e Lei 14.300/2022. O primeiro gráfico é ilustrativo.

