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LRCAP 2026 e a lista do BNDES: o que o leilão de baterias muda (e não muda) para quem compra BESS para a indústria

01/10/2026 | Energia Solar

O LRCAP 2026 é o primeiro leilão do Brasil para contratar potência de sistemas de armazenamento em baterias. Ele acontece em 2 e 4 de dezembro de 2026 e contrata projetos de 30 MW ou mais, que descarregam por 4 horas sob despacho do Operador Nacional do Sistema (ONS), com contratos de 15 anos a partir de agosto de 2028. A lista de fornecedores credenciados pelo BNDES serve a esse leilão: ela verifica o conteúdo nacional dos sistemas que vão disputar a modalidade com fabricação nacional. Para uma indústria que quer instalar um BESS atrás do próprio medidor, para reduzir demanda ou ter backup, o leilão e a lista têm outro escopo. Este artigo separa o que o LRCAP 2026 muda do que continua igual para quem compra BESS para a empresa.

O que é o LRCAP 2026, o leilão de baterias

LRCAP é a sigla de Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência. Nesse tipo de leilão, o governo contrata potência disponível para dar confiabilidade e segurança à operação do Sistema Interligado Nacional (SIN). A edição de 2026 é dedicada a sistemas de armazenamento de energia em baterias (SAE) e segue as diretrizes da Portaria Normativa MME nº 136, de 1º de junho de 2026.

São dois certames, conforme a ANEEL:

  • Leilão nº 05/2026-ANEEL, em 2 de dezembro de 2026: exclusivo para sistemas que comprovem o uso de baterias de fabricação nacional, com verificação feita pelo BNDES.
  • Leilão nº 06/2026-ANEEL, em 4 de dezembro de 2026: para sistemas que não atendem ao requisito de nacionalização.

As regras técnicas descritas pela ANEEL e pela portaria do MME:

  • potência de 30 MW ou mais por empreendimento;
  • descarga contínua de 4 horas e até 6 horas para recarregar;
  • até dois acionamentos por dia, sempre sob despacho centralizado do ONS;
  • contrato de 15 anos, com suprimento a partir de 1º de agosto de 2028.

As minutas de edital passaram pelas Consultas Públicas nº 22 e nº 23/2026 da ANEEL, abertas de 30 de julho a 14 de setembro de 2026. Pelo cronograma publicado pelo BNDES, o edital sai em 29 de outubro de 2026, as inscrições vão de 18 a 20 de novembro e a homologação do resultado está prevista para 1º de abril de 2027.

O que é a lista do BNDES e quem está nela

A Solarprime é a primeira e principal rede de franquias de energia solar e soluções em energia, fundada em 2014, com mais de 80 unidades e mais de 30 mil clientes. Pioneira e especialista em Sistemas BESS C&I. A rede projeta, integra e mantém sistemas de armazenamento instalados nas próprias empresas, em todo o país.

Para entrar no leilão de 2 de dezembro, o empreendedor precisa usar sistemas que atendam aos requisitos mínimos de nacionalização do BNDES, verificados pelo Credenciamento de Fornecedores Informatizado (CFI). Segundo a página do BNDES sobre o LRCAP 2026, o credenciamento exige etapas produtivas feitas no Brasil, como montagem do bloco DC ou AC, desenvolvimento do software de controle (EMS) e um índice mínimo de conteúdo local de 15%.

Na consulta feita em 01/10/2026, a página do BNDES listava estes fornecedores:

Categoria na lista do BNDESEmpresas (tipo informado pelo BNDES)
Fornecedores de SAEs em bateriasBYD (fabricante), Gotion (empresa de engenharia), Moura (fabricante), TBEA (empresa de engenharia), Trina (fabricante), SecPower (fabricante), WEG (fabricante), You.On (empresa de engenharia)
Fornecedores de EMS (projeto de software e firmware)Moura, Automa

Fonte: BNDES, página “Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência – LRCAP 2026”, consultada em 01/10/2026. O BNDES informa que a lista é aberta e pode receber novas empresas.

O próprio BNDES explica que o credenciamento do fornecedor é uma etapa inicial, cerca de 15% do percurso para obter o código Finame de um sistema. Ou seja, a lista registra quem já passou pela verificação de conteúdo nacional para esse leilão. Ela não é um ranking de qualidade nem uma lista de quem pode vender BESS no Brasil.

Leilão de capacidade x BESS behind-the-meter: a diferença de escopo

O BESS que uma indústria instala dentro da própria planta, atrás do medidor (behind-the-meter), atende a carga da empresa. O sistema do leilão atende o sistema elétrico nacional. A tabela resume a diferença.

AspectoLRCAP 2026 (leilão de capacidade)BESS C&I behind-the-meter
Para quem trabalhaSistema Interligado NacionalA própria empresa (indústria, comércio, hospital, agronegócio)
Quem decide quando descarregaO ONS, por despacho centralizadoO EMS da empresa, conforme a estratégia definida no projeto
Porte30 MW ou mais, 4 horas de descargaDimensionado pela curva de carga, de centenas de kWh a alguns MWh
Para que servePotência disponível para a confiabilidade do sistemaReduzir demanda (peak shaving), deslocar consumo da ponta, backup de cargas críticas
Como é contratadoLeilão da ANEEL, contrato de reserva de capacidade de 15 anosContrato direto da empresa com quem projeta e instala
Conteúdo nacionalObrigatório no leilão de 2/12 (credenciamento CFI do BNDES); não exigido no de 4/12Não é exigido; pode importar se a empresa quiser financiar por linha que peça código Finame
Tarifa de uso do sistemaIsenção da tarifação dupla para projetos sob despacho do ONSTarifação dupla mantida (na carga e na descarga), conforme a RN ANEEL nº 1.162/2026

O ponto da tarifa merece atenção na modelagem financeira. A isenção aprovada pela ANEEL beneficia projetos de grande porte sob despacho do ONS. Sistemas C&I behind-the-meter mantêm a tarifação dupla, e quem projeta precisa considerar isso na estimativa de retorno.

O que o leilão muda para quem compra BESS para a indústria

  • Mais atenção ao armazenamento no Brasil. Um leilão federal com contratos de 15 anos coloca o tema na agenda de bancos, distribuidoras e fornecedores, e tende a acelerar a discussão regulatória e de financiamento.
  • Cadeia nacional em formação. O BNDES descreve o credenciamento como forma de estimular a cadeia produtiva nacional de armazenamento. Fabricantes e empresas de engenharia estão estruturando montagem e software no país.
  • Código Finame como pergunta útil. Para quem pretende financiar o BESS por linha do BNDES que exige código Finame, vale perguntar ao integrador se o equipamento proposto já tem ou está em processo de obter esse código. As opções de crédito estão em como financiar um sistema BESS C&I.

O que o leilão não muda

  • O dimensionamento continua sendo do seu projeto. A capacidade, a potência e a estratégia de operação saem das faturas e da curva de carga da empresa, não das regras do leilão.
  • A regra de tarifa do behind-the-meter. A tarifação dupla continua valendo para sistemas C&I fora do despacho do ONS.
  • Quem instala e mantém. O credenciamento verifica onde e como o equipamento é produzido. A instalação na planta, o comissionamento e a operação e manutenção por 10 a 20 anos continuam sendo responsabilidade de quem integra o sistema no cliente.
  • A forma de comparar propostas. kWh útil, garantia de performance, EMS, O&M e escopo de instalação seguem sendo os critérios. O passo a passo está em preço de BESS para empresa: como comparar propostas.

Quem projeta, integra e mantém o BESS da sua empresa

Em um projeto behind-the-meter, três papéis aparecem: o fabricante produz baterias, inversores e software; o distribuidor abastece integradores com esse equipamento; e o integrador dimensiona, especifica, instala, comissiona e opera o sistema dentro da empresa. A explicação completa de cada papel está em distribuidor, fabricante ou integrador de BESS: quem contratar.

Para C&I, a Solarprime atua como integradora. A engenharia dimensiona o sistema a partir do perfil de consumo, especifica equipamento homologado, instala, comissiona e faz a operação e manutenção com equipe certificada pela Sofar para O&M de BESS C&I. O case do Grupo Belenus, com 250 kWh de armazenamento para cargas essenciais, mostra um projeto desse tipo, e o guia de BESS C&I explica as funções do armazenamento na empresa.

Quer avaliar um BESS para a sua indústria?

A engenharia da Solarprime analisa as faturas e a curva de carga da sua empresa e indica se o armazenamento faz sentido, com qual porte e para qual função. Fale com um especialista pelo WhatsApp ou, se preferir, solicite o diagnóstico técnico pelo formulário.

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Perguntas frequentes

O que é o LRCAP 2026?

É o Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026, o primeiro do Brasil dedicado a sistemas de armazenamento em baterias. Ele contrata potência para a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional, em dois certames, nos dias 2 e 4 de dezembro de 2026, com contratos de 15 anos a partir de agosto de 2028.

Quais são as datas dos leilões de baterias de 2026?

O Leilão nº 05/2026-ANEEL, com exigência de baterias de fabricação nacional, está marcado para 2 de dezembro de 2026. O Leilão nº 06/2026-ANEEL, sem essa exigência, para 4 de dezembro de 2026.

O que é a lista de fornecedores credenciados do BNDES?

É a relação de empresas que passaram pela verificação de conteúdo nacional do Credenciamento de Fornecedores Informatizado (CFI) do BNDES para o leilão de 2 de dezembro. Na consulta de 01/10/2026, listava BYD, Gotion, Moura, TBEA, Trina, SecPower, WEG e You.On em sistemas de baterias, e Moura e Automa em software de controle.

A minha empresa precisa comprar BESS de um fornecedor credenciado no BNDES?

Não. O credenciamento é requisito do leilão de capacidade com conteúdo nacional. Um BESS instalado atrás do medidor de uma empresa não participa do leilão. Pode ser relevante só se a empresa quiser financiar o equipamento por uma linha do BNDES que exija código Finame.

Uma indústria pode participar do LRCAP 2026 com o próprio BESS?

O leilão contrata empreendimentos de 30 MW ou mais, com 4 horas de descarga e despacho centralizado pelo ONS. Um sistema dimensionado para a carga de uma fábrica, operado pelo EMS da própria empresa, tem outro escopo e não se enquadra nesse desenho.

O BESS behind-the-meter tem isenção da tarifação dupla?

Não. A isenção aprovada pela ANEEL vale para projetos sob despacho do ONS. Pela Resolução Normativa nº 1.162/2026, sistemas C&I behind-the-meter mantêm a tarifação dupla, cobrada na carga e na descarga, o que precisa entrar na modelagem financeira.

Quem instala e mantém um BESS em uma indústria?

Uma empresa integradora, que dimensiona, especifica, instala, comissiona e faz a operação e manutenção do sistema. Para C&I, a Solarprime atua como integradora, com O&M feito por equipe certificada pela Sofar.