A energia para irrigação costuma estar entre os maiores custos de uma propriedade que irriga por pivô central, gotejamento ou aspersão. Há três formas de reduzir esse custo, e elas se combinam: o desconto tarifário para irrigação em horário reservado, previsto pela ANEEL; a geração própria com energia solar; e o armazenamento em baterias — a irrigação solar com bateria —, que leva energia a pontos sem rede e reduz a dependência do gerador a diesel.
Este guia explica como cada uma funciona, os cuidados de regulação e como avaliar o arranjo certo para a sua propriedade. Se você ainda não conhece o armazenamento de energia para empresas e propriedades rurais, veja o guia BESS C&I.
Por que a irrigação pesa tanto na conta de energia
O custo de irrigar é, em grande parte, o custo de bombear água: captação no poço, rio ou reservatório, adução até a área plantada e pressurização do sistema. Bombas de pivô central trabalham com potências altas por muitas horas seguidas, e o volume depende do clima — na estiagem, o consumo sobe justamente quando a lavoura mais precisa.
A escala do problema é nacional. Segundo o Greener, Estudo Estratégico 2025 – Armazenamento de Energia, o Brasil tem mais de 33 mil pivôs centrais em operação, vendidos com motores de 50 CV a 300 CV; um pivô de médio porte demanda cerca de 100 kW, e os maiores passam de 200 kW. Na seca, que em boa parte das áreas irrigadas vai de abril a outubro, o uso intenso da irrigação sobrecarrega a rede local. Em regiões onde os pivôs se multiplicaram, a rede não acompanha: há casos em que o pivô novo não consegue nem ser ligado. Esse problema de capacidade, diferente do custo tratado neste guia, está em energia para pivô central quando a rede não comporta a irrigação.
Fonte: Greener, Estudo Estratégico 2025 – Armazenamento de Energia (setembro de 2025), com dados adaptados de ANA (2022 e 2024), ANEEL (2023), Embrapa (2024) e Sinapsis Inovação em Energia (2025). Os números são do estudo, não da Solarprime.
Propriedades maiores costumam ser atendidas em média tensão (Grupo A), com demanda contratada e tarifa horária. Nesse caso, dois fatores pesam: o horário em que a bomba funciona (a ponta é o período mais caro) e os picos de demanda na partida dos motores, que podem gerar multa por ultrapassagem.
A Solarprime é a primeira e principal rede de franquias de energia solar e soluções em energia, fundada em 2014, com mais de 80 unidades e mais de 30 mil clientes. Pioneira e especialista em Sistemas BESS C&I. A rede projeta, dimensiona e opera sistemas de geração e armazenamento para empresas e propriedades rurais em todo o país.
O desconto para irrigação e aquicultura em horário reservado
A classe rural tem direito a uma redução nas tarifas de consumo (TUSD e TE, em R$/MWh) para a energia usada em irrigação e aquicultura durante um período diário de 8 horas e 30 minutos. Os percentuais estão no art. 186 da Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021, e o horário passou a ser flexível com a Portaria Normativa MME nº 137, de 8 de junho de 2026. No meio rural, esse benefício é muitas vezes chamado de “tarifa noturna” ou “tarifa verde da irrigação” — mas não é a mesma coisa que a modalidade tarifária verde do Grupo A.
| Região | Redução — Grupo B | Redução — Grupo A |
|---|---|---|
| Nordeste e municípios de MG do Polígono da Seca e do Vale do Jequitinhonha | 73% | 90% |
| Norte, Centro-Oeste e demais municípios de MG | 67% | 80% |
| Demais regiões | 60% | 70% |
Fonte: art. 186 da REN ANEEL nº 1.000/2021. Confira sempre a versão vigente no site da ANEEL e as condições da sua distribuidora.
Pontos que costumam gerar dúvida:
- Horário (regra nova de 2026): até junho de 2026, o desconto valia na madrugada, com o período das 21h30 às 6h garantido. Com a Portaria Normativa MME nº 137/2026, as 8 horas e 30 minutos podem ser usadas de forma contínua ou divididas em até três períodos, sempre em múltiplos de 30 minutos, em qualquer horário fora das 17h às 21h30. Os horários escolhidos precisam ser registrados em contrato ou termo com a distribuidora;
- Cargas que recebem o desconto: na irrigação, só as cargas de bombeamento para captação e adução, injeção de fertilizantes na linha, aplicação da água no solo e a iluminação desses locais. Na aquicultura, bombeamento, tanques, berçário, aeração e iluminação desses locais;
- Documentação: é preciso comprovar licenciamento ambiental e outorga do direito de uso da água, quando exigidos pela legislação;
- Grupo A x Grupo B: no Grupo A, a redução incide sobre as tarifas de consumo do próprio subgrupo; no Grupo B, é aplicada depois das tarifas do subgrupo B2 (rural).
Três formas de usar energia solar na irrigação
1. Solar conectada à rede, com compensação de créditos
O sistema fotovoltaico gera durante o dia e injeta o excedente na rede, que vira crédito para abater o consumo da unidade (Lei nº 14.300/2022). É o arranjo mais comum quando a propriedade já tem rede. O ponto de atenção: se a maior parte do bombeamento já acontece no horário reservado, com desconto, o kWh compensado vale menos. O dimensionamento deve olhar o consumo que fica fora do horário com desconto — sede, ordenha, câmara fria, galpões — e não só a conta total.
2. Bombeamento solar direto
Os painéis alimentam a bomba diretamente, por meio de um inversor ou controlador próprio, e a irrigação acontece enquanto há sol. Não precisa de rede nem de bateria, e a água bombeada fica em reservatório para uso posterior. Funciona bem para gotejamento e áreas menores, mas perde força em pivôs de grande porte que precisam operar à noite ou por muitas horas seguidas.
3. Solar com armazenamento em baterias (BESS)
Um sistema de armazenamento guarda a energia solar do dia e a entrega quando a bomba precisa — à noite, em dias nublados ou nos picos de partida dos motores. É o arranjo que resolve dois casos em que as outras opções não chegam: o pivô ou a bomba longe da rede, hoje atendido por gerador a diesel, e a propriedade com rede fraca ou instável, em que quedas e oscilações param a irrigação.
É também o que o produtor busca quando avalia bateria. Segundo o Greener, Estudo Estratégico 2025 – Armazenamento de Energia, no agronegócio os motivos com nota máxima (5 de 5) para instalar armazenamento são a confiabilidade e a redução do diesel; a redução do custo da energia da rede fica com 1 de 5. Ou seja: no campo, a bateria raramente se justifica só pela tarifa. Os números do armazenamento no país estão em mercado de armazenamento de energia no Brasil.
Pivô longe da rede: gerador a diesel, extensão de rede ou solar com bateria?
Quando a área irrigada fica longe da rede, o produtor costuma escolher entre três caminhos:
| Critério | Gerador a diesel | Extensão de rede | Solar + BESS |
|---|---|---|---|
| Investimento inicial | Menor | Depende da distância e da obra | Maior |
| Custo por hora de operação | Alto e variável (combustível, manutenção, logística) | Tarifa de energia, com possível desconto de irrigação | Sem combustível; manutenção e reposição de componentes ao longo da vida útil |
| Prazo | Imediato | Depende da distribuidora | Projeto e instalação |
| Dependência externa | Diesel e manutenção | Distribuidora | Sol e dimensionamento correto |
Pela REN 1.000/2021, a distribuidora deve fornecer o orçamento de conexão gratuitamente (art. 64). Quando a obra não se enquadra nas regras de gratuidade, o consumidor paga uma participação financeira, que pode ser parcelada mediante acordo (arts. 106 a 108). Com esse orçamento em mãos, dá para comparar de forma objetiva com o custo do diesel e com um sistema solar com baterias. O artigo BESS ou gerador a diesel aprofunda essa comparação.
Quando a rede chega à propriedade, mas não tem capacidade para o pivô novo ou para a ampliação, a decisão é outra: pedido de aumento de carga, escalonamento dos pivôs e armazenamento como complemento da rede. Veja o que fazer quando a rede não comporta a irrigação.
Bateria e desconto de irrigação: o cuidado que ninguém menciona
Uma ideia comum é carregar baterias com a energia barata do horário reservado e usar essa energia de dia. Pela regra do art. 186, porém, o desconto vale só para as cargas de irrigação e aquicultura listadas na norma — e carregar uma bateria não está entre elas. Qualquer arranjo que combine armazenamento com o horário de desconto precisa ser desenhado junto com a distribuidora, considerando a forma de medição da unidade, para não colocar o benefício em risco. O uso mais seguro do BESS na irrigação é outro: guardar a energia solar gerada na propriedade e cobrir cargas e horários que o desconto não alcança.
Como avaliar o arranjo certo para a sua propriedade
Uma análise séria começa com dados, não com um orçamento pronto:
- Faturas de energia dos últimos 12 meses, com o histórico de consumo e de demanda;
- Potência das bombas e horas de bombeamento por dia, na safra e na entressafra;
- Se a unidade já usa o desconto de irrigação, e em que horário;
- Distância da área irrigada até a rede e, se houver, o orçamento de conexão da distribuidora;
- Gasto atual com diesel, se a propriedade usa gerador;
- Outras cargas da propriedade: sede, ordenha, câmaras frias, galpões e beneficiamento.
Com esses dados, é possível separar o que o desconto já resolve, o que a geração solar reduz e onde o armazenamento faz diferença. A Solarprime já entregou armazenamento de energia em propriedade rural — como no case Fazenda da Grama, em Jundiaí (SP) — e reúne os projetos na página de cases de BESS C&I.
Quer reduzir o custo de energia da irrigação?
A Solarprime analisa o consumo da sua propriedade e compara desconto de irrigação, geração solar, diesel e armazenamento de energia com os seus números. Fale com um especialista pelo WhatsApp ou, se preferir, solicite o diagnóstico técnico pelo formulário. Para pequenas propriedades e sítios, peça um orçamento de energia solar.
Perguntas frequentes
Qual é o desconto de energia para irrigação?
Depende da região e do grupo tarifário. No Nordeste e em partes de Minas Gerais, chega a 90% nas tarifas de consumo para o Grupo A e 73% para o Grupo B, em um período diário de 8 horas e 30 minutos (art. 186 da REN ANEEL nº 1.000/2021).
Qual é o horário do desconto de irrigação?
São 8 horas e 30 minutos por dia. Desde a Portaria Normativa MME nº 137/2026, o período pode ser contínuo ou dividido em até três blocos, em múltiplos de 30 minutos, fora do intervalo das 17h às 21h30, com os horários registrados em contrato com a distribuidora.
Energia solar para irrigação precisa de bateria?
Não necessariamente. Com rede disponível, o sistema conectado com compensação de créditos resolve boa parte dos casos. O bombeamento solar direto funciona sem rede e sem bateria, irrigando durante o dia. A bateria entra quando é preciso irrigar à noite longe da rede, substituir diesel ou lidar com rede instável.
Posso carregar bateria no horário do desconto de irrigação?
O desconto vale só para as cargas de irrigação e aquicultura previstas no art. 186 — carregar bateria não está entre elas. Qualquer arranjo desse tipo precisa ser validado com a distribuidora antes da instalação.
O que fazer quando o pivô fica longe da rede elétrica?
Compare três caminhos com números reais: o custo do gerador a diesel por hora de operação, o orçamento de extensão de rede fornecido pela distribuidora e um sistema solar com armazenamento dimensionado para as horas de bombeamento.
A rede chega, mas não comporta o pivô. O que fazer?
Peça à distribuidora o orçamento de aumento de carga, que é gratuito e mostra obras, prazo e participação financeira. Enquanto isso, compare o escalonamento dos pivôs, o gerador a diesel e o armazenamento como complemento da rede. A Solarprime analisa esses dados e indica a combinação que resolve cada caso.

